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A DOUTRINA DA RESSURREIÇÃO





A doutrina da ressurreição tem sua base essencialmente sobre o fato da ressurreição de Cristo. A palavra ressurreição implica em transformação do corpo que morreu e foi sepultado, ou de alguma outra forma ficou retido aqui na terra. Se o corpo ressurreto não fosse o mesmo, isto não seria ressurreição. Seria uma nova criação e o termo na Bíblia seria um absurdo. Os crentes ressuscitarão num corpo glorioso em vários sentidos (1ª Co 15), e os ímpios, num corpo ignominioso, em que sofrerão pela eternidade (Mt 10.28). Os não-salvos farão parte da segunda ressurreição, a qual abrange todos os ímpios mortos, e ocorrerá ao findar o Milênio.

                    I.             RESSURREIÇÃO DOS JUSTOS E A DOS INJUSTOS

A ressurreição dos salvos e a dos ímpios é claramente ensinada nas Escrituras. Ela é prova de que os que agora morrem não deixam de existir. Se os que morrem agora deixassem de existir, para que eles reaparecessem para serem julgados (como João os viu, em Apocalipse 20.11-15), teriam de ser recriados e não ressuscitados. Ressurreição só pode ser de alguém que morreu. Se o caso fosse recriação, esta neutralizaria toda a base de recompensa, porque aqueles que saíssem da sepultura seriam indivíduos diferentes daqueles que praticaram as obras neste mundo, em sua vida anterior.

Há na Bíblia, duas ressurreições: a dos justos e a dos injustos, havendo um intervalo de mil anos entre elas (Dn 12.2; Jo 5.28-29; Ap 20.5). A expressão bíblica “ressurreição dentre os mortos”, como em Lucas 20.35 e Filipenses 3.11, implica numa ressurreição em que somente os justos participarão, continuando sepultados os ímpios. Esta expressão é no original “ek ton nekron ressurreição dentre os mortos. Sempre que a Bíblia trata da ressurreição de Jesus ou dos salvos, emprega estas palavras. A expressão nunca é usada em se tratando de não-salvos.

“Mas os outros mortos não reviveram, até que os mil anos se acabaram. Esta é a primeira ressurreição. Bem-aventurado e santo aquele que tem parte na primeira ressurreição; sobre estes não tem poder a segunda morte; mas serão sacerdotes de Deus e de Cristo, e reinarão com ele mil anos” (Ap 20.5-6).

Há uma idéia entre o povo de Deus que a ressurreição será em um só momento. Mas na realidade não será assim. Segundo a Bíblia, a ressurreição tem três fases distintas. A ordem é a seguinte: A primeira ressurreição é inaugurada por Jesus Cristo, que é as primícias dos que dormem (1ª Co 15.20; Cl 1.18). Seguindo a seqüência os que são de Cristo por ocasião da sua vinda (1ª Co 15.23), e sete anos depois os mártires da Grande Tribulação (Ap 6.9-11; 20.4). Portanto a primeira ressurreição abrange da ressurreição de Cristo até os mártires da Grande Tribulação.

                 II.             A RESSUREIÇÃO DOS JUSTOS


Como já mencionamos, há pelo menos três grupos distintos de ressuscitados integrantes da primeira ressurreição, como indica o termo original “tagma” em 1ª Coríntios 15.23.



1.      As primícias da primeira ressurreição.

O primeiro grupo é a continuação da primeira ressurreição, iniciada por Jesus, pois, em 1ª Co 15.20, 23, o termo “tagma”, no original, indica “ordem, fileira, grupo, turma”, como numa formatura militar ou escolar.

1ª Co 15.20, 23 “Mas, de fato, Cristo ressuscitou dentre os mortos, sendo ele as primícias dos que dormem. Mas cada um por sua ordem! Cristo, as primícias; depois os que são de Cristo, na sua vinda”.

Este grupo é formado por Cristo e os santos que ressuscitaram por ocasião de sua morte na cruz. Assim sendo Cristo é o princípio dentre os mortos: “E Ele é a cabeça do corpo da igreja: é o princípio e o primogênito dentre os mortos, para que tudo tenha a preeminência” (Cl 1.18).

Porém, na ressurreição de Cristo muitos dos santos ressurgiram com Ele: “E Jesus clamando outra vez com grande voz entregou o espírito. E eis que o véu do templo se rasgou em dois, de alto abaixo; e tremeu a terra, e fenderam-se as pedras. E abriram-se os sepulcros, e muitos corpos de santos que dormiram foram ressuscitados. E saindo dos sepulcros, depois da ressurreição dele, entraram na cidade santa e apareceram a muitos” (Mt 27.50-52).

Só Mateus narra este acontecimento. Foi um pequeno grupo que ressuscitou com Cristo e representa um sinal da vida eterna para os fiéis. Só depois da ressurreição de Cristo foram vistos este santos.

Este grupo representa as primícias: “Guardarás a Festa da Sega, dos primeiros frutos do teu trabalho, que houveres semeado no campo, e a Festa da Colheita, à saída do ano, quando recolheres do campo o fruto do teu trabalho” (Êxodo 23.16).

A festa das Primícias em Levítico 23.10-12 tipifica isto, quando um molho das primícias era trazido para o sacerdote mover perante o Senhor. Molho implica um grupo, o que de fato aconteceu. Esta festa tipificava Jesus ressuscitando com um pequeno grupo.

Desse modo a ressurreição dos fiéis começou, pois com Cristo, as primícias da ressurreição (At 26.23), isto é, que Cristo devia padecer e sendo o primeiro da ressurreição dos mortos.
2            2. A colheita geral da ressurreição.
      Este grupo é formado pelos santos que ressuscitarão no momento do arrebatamento da Igreja (1ª Ts 4.16). São todos os mortos salvos desde o tempo de Adão.

Este grupo representa a colheita geral de cereais do Velho Testamento: “Sete semanas contarás; desde que a foice começar na seara, começarás a contar as sete semanas. Depois, celebrarás a festa das semanas ao Senhor, teu Deus” (Dt 16.9-10).

A festa das semanas era celebrada no fim da colheita de trigo, ou seja, da colheita geral, e que durava sete semanas. Mais tarde recebeu o nome grego de pentecostes, visto cair cinqüenta dias depois da Páscoa.


A colheita geral do Velho Testamento tipifica o arrebatamento da igreja quando Cristo voltar: “Bem-aventurado e santo aquele que tem parte na primeira ressurreição; sobre estes não tem poder a segunda morte; mas serão sacerdotes de Deus e de Cristo, e reinarão com ele mil anos” (Ap 20-6). Esta Bem-aventurança é aplicada a “ressurreição dos justos”. O bem-estar e a felicidade dos justos advêm deste acontecimento.
3.       Os rabiscos da colheita.
Levítico capítulo 23 é a história da Igreja escrita de antemão. Temos aí entre outras coisas a ressurreição prefigurada.

“Quando segardes a messe da vossa terra, não rebuscareis os cantos do vosso campo, nem colhereis as espigas caídas da vossa sega; para o pobre e para o estrangeiro as deixareis. Eu sou o SENHOR, vosso Deus” (Lv 23.22).

Este último grupo é formado pelos remanescentes de Israel que irão se converter pela pregação das duas testemunhas na grande tribulação, os quais ressuscitarão logo antes do milênio, isto é, onde Cristo reinará nesta terra por mil anos.

              III.         A RESSURREIÇÃO DOS INJUSTOS SÓ TERÁ LUGAR DEPOIS DO MILÊNIO


Os pecadores que morrem hoje estão em tormento no estado intermediário, mas ainda não estão no lugar definitivo do castigo final. Assim, a bondade de Deus faz adiar o dia do acerto final para depois do milênio. A segunda ressurreição acontecerá depois do Milênio e dela só farão parte os ímpios.

Em Apocalipse é ensinado que os não salvos serão ressuscitados, julgados e lançados no lago de fogo (Ap 20.12-13).

“Mas os outros mortos não reviveram...” (Ap 20.5). Os outros mortos (os homens que desde Adão morreram nos seus delitos e pecados) não reviveram. Jesus em João 5.28 e 29 falou destas duas ressurreições. Daniel também foi revelado acerca destes dois eventos (Dn 12.2). Portanto, fica provado que entre a primeira e a segunda ressurreição haverá um espaço de mil anos, e que somente depois da destruição total de Satanás, e para devida prestação de contas perante o Trono Branco, é que haverá a segunda ressurreição, quando todos os demais mortos comparecerão diante de Deus. Sobre este assunto abordaremos posteriormente.


Pr. Elias Ribas

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