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A terra é de satanás?


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O movimento de batalha espiritual
ensina que a Terra é de Satanás

De acordo com os ensinos do movimento de Batalha Espiritual, a administração e governo terrenos pertencem a Satanás. Isso se deveu ao pecado de Adão. Ao primeiro homem foi dada administração e governo sobre a criação; no entanto, ele, quando pecou, teria entregado a autoridade ao diabo. Decorrente disto, o diabo tem controle sobre os governos, e Deus não interfere nisso, por questões éticas e legais. Daí o ensino da legalidade e ilegalidade.

De acordo com isso, Satanás teria todo o direito legal de administrar o sistema terreno, e Deus romperia com a ética se interferisse nesse direito. Foi por isso que Jesus veio, para devolver o direito ao homem de governar. A partir de Jesus, portanto, temos a autoridade de governar sobre a criação. Para apoiar essa idéia, citam-se textos como Mt 4: 8 e 9, que diz: “Levou-o ainda o diabo a um monte muito alto, mostrou-lhe todos os reinos do mundo e a glória deles e lhe disse: Tudo isto te darei se, prostrado, me adorares” e 2 Co 4:4 “nos quais o deus deste século cegou o entendimento dos incrédulos, para que lhes não resplandeça a luz do evangelho da glória de Cristo, o qual é a imagem de Deus”.


O que a Bíblia diz sobre a terra ser de Satanás?

Quando nos voltamos para a Bíblia e nos deparamos com Deus julgando a humanidade através do dilúvio Gn 6:11-26, com textos como Sl 24:1: "Do Senhor é a terra e sua plenitude, o mundo e aqueles que nele habitam...” - Como poderíamos abraçar a idéia de que Satanás é governante da terra e concorrente em pé de igualdade de Deus? Quando nos deparamos com o Sl 50:10-12, em que o Senhor diz: “... meu é todo o animal da selva e as alimárias sobre milhares de montanhas. Conheço todas as aves dos montes; e minhas são todas as feras do campo... pois meu é o mundo e a sua plenitude” e Dn 2:21: “... é Ele quem muda o tempo e as estações, remove reis e estabelece reis” - Que fazemos com estes textos? Somente nos redermos a eles e reconhecermos que Deus nunca deixou e nunca vai deixar de ser soberano sobre todas as coisas.

No Livro do profeta Isaías ficamos vislumbrados em saber que Deus usou o rei da Assíria para julgar a Israel e depois também julga à Assíria (Is 10:5-12). Em I Sm 2: 6 e 7, encontramos Ana orando da seguinte forma: “O Senhor é o que tira a vida e a dá; faz descer à sepultura e faz subir. O Senhor empobrece e enriquece; abaixa e também exalta”. O salmista, inspirado, declara no Sl 103:19: “Nos céus estabeleceu o Senhor o seu trono, e o seu reino domina sobre tudo”.

Deus é soberano e governa sobre todas as coisas, inclusive sobre o diabo. Porventura diante destes textos encontramos alguma coisa que sobrou para Satanás governar? Tenho certeza que não.

No entanto o que fazer com textos bíblicos que dizem que satanás é o deus deste mundo? A fim de responder esta pergunta, precisamos nos perguntar que “mundo” que é este. Russell Shedd nos dá um esclarecimento sobre isto:

“... trata do sistema de valores alienado de Deus, que orienta o pensamento dos homens em oposição a Ele. Assim, o kosmos jaz no maligno (o diabo, 1 Jo 5:19; cf. Jo 12:31; 14:30). As trevas dominam este mundo (Jo1:5; 12:46) e o pecado macula sua existência como um todo.”

Por isso não nos estranha Jesus e Paulo atribuírem este título a Satanás. Ele é o deus de um mundo pecaminoso e que se nega a submeter ao único Deus e também reina sobre as heresias e mentiras que querem afastar o povo de Deus da Verdade.

E é exatamente disso que se refere os textos de Mt 4:8, 2 Co 4:4 e outros. No entanto, é necessário notarmos que inclusive sobre o mundo pecaminoso Deus é soberano. No sentido de delimitar a ação maligna. Vemos isso na crucificação, onde era um ato soberano de Deus para cumprir os seus propósitos, mas também um ato pecaminoso do homem incitado pelo diabo: “sendo este Jesus entregue pelo determinado desígnio e presciência de Deus, vós o matastes, crucificando-o por mãos de iníquos” (At 2:23). Erickson comenta sobre o assunto da seguinte forma: “Há várias maneiras pelas quais Deus pode relacionar-se e de fato se relaciona com o pecado: ele pode (1) preveni-lo; (2) permiti-lo; (3) dirigi-lo ou (4) limitá-lo. Note que em cada caso, Deus não é a causa do pecado humano, mas age em relação a ele”.

Autor: Clériston Andrade
Contato: mensagemdacruz@ibest.com.br

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