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Quem é o “servo” de Isaías 52,13?

judaísmoEntre as profecias hebraicas sobre o Messias, talvez nenhuma outra forneça um quadro mais claro do que a de Isaías 52,13–53,12. Com mais de 700 anos de antecedência, Isaías descreveu, não a aparência física do Messias, mas detalhes mais significativos — o objetivo e as formas de seu sofrimento e pormenores sobre sua morte, sepultamento e enaltecimento. Um exame dessa profecia e seu cumprimento nos animará e fortalecerá a nossa fé.
Isaías acabara de falar da libertação dos judeus do exílio em Babilônia. Daí, vislumbrando um evento bem mais importante, ele registra as palavras de Iahweh: “Eis que meu servo agirá com perspicácia. Ele estará num alto posto, e certamente será elevado e muitíssimo exaltado.” (Isaías 52,13) Quem é esse “servo”? Ao longo dos séculos, eruditos judeus apresentaram várias opiniões. Alguns diziam que ele representava a inteira nação de Israel durante seu exílio babilônico. Mas essa explicação não se ajusta à profecia. O Servo de Deus sofreria voluntariamente. Mesmo inocente, sofreria pelos erros de outros. Isso não poderia aplicar-se à nação judaica, que foi exilada por causa de seus próprios pecados. (2 Reis 21,11-15; Jeremias 25,8-11) Outros diziam que o Servo representava a devota elite de Israel, e que ela sofreu em favor dos israelitas pecadores. No entanto, em tempos de aflição em Israel, nenhum grupo específico sofreu por outro.
Antes do advento do cristianismo, e até certo ponto durante os primeiros séculos da era cristã, uns poucos eruditos judeus aplicaram essa profecia ao Messias. Que essa é a aplicação correta vê-se no Novo Testamento. Segundo o livro de Atos, quando o eunuco etíope disse que não sabia quem era o Servo da profecia de Isaías, Filipe “declarou-lhe as boas novas a respeito de Jesus”. (Atos 8,26-40; Isaías 53,7-8) Outros livros bíblicos também identificam Jesus Cristo como o Servo messiânico da profecia de Isaías. Na sua versão de Isaías 52,13, o Targum de Jonathan ben Uzziel (primeiro século), traduzido por J. F. Stenning, diz: “Observai, meu servo, o Ungido (ou, o Messias), prosperará.” Similarmente, o Talmude Babilônico (c. terceiro século), reza: “O Messias — qual é seu nome? . . . [; os] da casa de Rabi [dizem, O doente], como se disse: ‘Certamente ele carregou sobre si as nossas doenças.’” — Sinédrio 98b; Isaías 53,4.
Ao considerarmos essa profecia, veremos os inegáveis paralelos entre aquele a quem Iahweh chama de “meu servo” e Jesus de Nazaré.
A profecia começa descrevendo o sucesso final do Messias na execução da vontade divina. A palavra “servo” indica que ele se submeteria à vontade de Deus, assim como um servo se submete à de seu senhor. Assim, ‘agiria com perspicácia’. Perspicácia é a capacidade de discernir uma situação. Agir com perspicácia é agir com discrição. Sobre o verbo hebraico usado aqui, certa obra de referência diz: “No âmago, a ideia é procedimento prudente e sábio. Quem proceder sabiamente terá sucesso.” Que o Messias realmente teria sucesso deduz-se de que a profecia diz que ele ‘seria elevado e muitíssimo exaltado’.
Jesus realmente ‘agiu com perspicácia’, mostrando que entendia as profecias bíblicas que se aplicavam a ele e se guiando por elas para fazer a vontade de seu Pai. (João 17,4; 19,30) Com que resultado? Depois de sua ressurreição e ascensão ao céu, “Deus o enalteceu a uma posição superior e lhe deu bondosamente o nome que está acima de todo outro nome”. (Filipenses 2,9; Atos 2,34-36; Apocalipse 12,1-5) Sim, ele foi “elevado e muitíssimo exaltado”.

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